CONTEÚDO DO 3º BIMESTRE
AULA 1
O QUE É NACIONALISMO?
Ideologia segundo a qual o indivíduo deve lealdade e devoção ao Estado Nacional, compreendido como um conjunto de pessoas unidas num mesmo território por tradições, língua, cultura, religião ou interesses comuns, que constitui uma individualidade política com direito de se auto-determinar.
PRIMAVERA DOS POVOS
Com o fim da era napoleônica, as monarquias européias se reuniram com o objetivo de conter as propostas de transformação disseminadas pela Revolução Francesa. Tal encontro aconteceu no chamado Congresso de Viena, momento em que parte dos monarcas que ali se encontravam decidiu formar a chamada Santa Aliança. Nesse acordo, diversos monarcas se comprometiam a auxiliar militarmente toda monarquia que tivesse sua autoridade ameaçada.
Contudo, esse projeto que deveria preservar o Antigo Regime não foi capaz de conter a marcha das novas revoluções que tomariam conta da Europa. No ano de 1848, as várias novas correntes políticas que surgiam em todo o Velho Mundo se mostraram decididas a dar fim ao regime monárquico. Em linhas gerias, o contexto político europeu se via tomado não só pelas propostas liberais oriundas da experiência francesa, mas também contou com a ascensão das tendências nacionalistas e socialistas.
REVOLUÇÃO NA FRANÇA: 1839 E 1848
Depois da queda de Napoleão, a dinastia dos Bourbon foi restaurada na França. O rei Luís XVIII estava à frente de uma monarquia parlamentar. O poder legislativo era composto por duas câmaras, mas somente pouco mais de 200 mil pessoas tinham o direito de escolher os deputados.
Com a morte de Luís XVIII, em 1824, subiu ao trono o conde de Artois, com o título de Carlos X. Apoiado por setores ultraconservadores, passou a restaurar os antigos privilégios da aristocracia
O governo de Luís Filipe se caracterizou pela restrição ao direito de voto, o que garantiu a manutenção do poder da aristocracia financeira, isto é, os banqueiros, os grandes proprietários de ferrovias e minas, os reis da bolsa de valores e a parte mais rica dos grandes proprietários de terra.
Os demais setores da burguesia, juntamente com a pequena burguesia, os camponeses e os trabalhadores urbanos opunham-se ao chamado governo dos banqueiros. Nessa época, havia um constante déficit nas contas do governo, que recorria a empréstimos junto aos banqueiros. Os altos juros de tais empréstimos eram pagos com impostos arrecadados da população.
A REVOLUÇÃO DE 1848 E A SEGUNDA REPÚBLICA FRANCESA
O governo de Luís Filipe atendia os interesses de uma pequena parcela da população. Os avanços na indústria eram pequenos, prejudicando a economia como um todo. A situação piorou quando, em 1845 e 1846, uma praga desconhecida atacou as plantações de batata, que era o principal alimento popular. A fome rondava os lares da França. Alto custo de vida: aumento do preço da batata, estagnação das indústrias e do comércio.
Esse quadro geral de crise originou uma campanha contra a política do governo. A proibição de manifestações políticas levou a oposição a organizar reuniões na forma de banquetes para enganar as autoridades. Nessas reuniões políticas era discutida a crise e se propunham formas de ação.uando, em 25 de julho de 1830, Carlos X suprimiu a Constituição, a população de Paris se rebelou, e o monarca foi obrigado a se refugiar na Inglaterra. Diante da possibilidade de se instaurar uma república, a burguesia francesa conservadora preferiu uma monarquia parlamentar. Daí a escolha para rei da França do duque de Orleans, Luís Filipe, apoiado pelos grandes banqueiros.
Manifestações populares realizadas no dia 22 de fevereiro de 1848 contrariaram as medidas repressivas do governo. A Guarda Nacional convocada para reprimir as manifestações aderiu à população. Depois de dois dias de lutas pelas ruas de Paris, Luís Filipe fugiu, em 24 de fevereiro de 1848.
Foi formado um governo provisório que, sob pressão dos grupos republicanos apoiados pela pequena burguesia e pelos trabalhadores em geral, proclamou a República, em 25 de fevereiro.
Do governo provisório participavam todas as frações da sociedade: de monarquistas que se opunham à dinastia de Orleans ao proletariado, passando por todas as camadas da burguesia.
Entretanto, as eleições para a Assembléia Constituinte, de abril de 1848, deram vitória aos deputados moderados do Partido Republicano, apoiados pela pequena burguesia e pelos camponeses proprietários das províncias. Dessa forma, com uma Assembléia Constituinte de maioria republicana e contrária às propostas revolucionárias dos candidatos operários, terminou a primeira fase da revolução de 1848, quando, por curto espaço de tempo, os interesses operários estiveram representados no governo francês.
O controle da Assembléia Constituinte permitiu à burguesia pôr fim às pequenas conquistas do proletariado, aumentando o desemprego em Paris. Para impedir as manifestações dos trabalhadores foi formada a chamada Guarda Móvel, constituída por representantes da pequena burguesia, dos camponeses e de desocupados.
Nas eleições realizadas em 10 de dezembro de 1848, foi eleito para presidente da República Luís Napoleão Bonaparte, sobrinho do antigo imperador dos franceses, Napoleão Bonaparte.
O SEGUNDO IMPÉRIO FRANCÊS
Luís Bonaparte, como presidente, estava em constante atrito com o Parlamento. No dia 9 de dezembro de 1851, apoiado pelos proprietários rurais, por setores marginais da pequena burguesia, organizados numa sociedade chamada Dez de Dezembro, e pelo exército, Luís Bonaparte dissolveu a Assembléia e se proclamou presidente por dez anos. No ano seguinte, proclamou-se imperador.
Napoleão III, como passou a ser conhecido, era apoiado pelos pequenos camponeses, que tinham na lembrança a figura de Napoleão I, o grande benfeitor do campesinato.
EUROPA NO SÉCULO XIX: UNIFICAÇÃO DA ITÁLIA E DA ALEMANHA
Até a segunda metade do século XIX, a península Itálica e o território da atual Alemanha estiveram divididos em vários Estados independes. Nessas regiões, então, iniciou-se um processo de centralização política. Ao final de algumas décadas, estariam formadas a Itália e a Alemanha. A unificação ocorreu, nesses dois paises, de forma conflituosa e alterou profundamente o cenário político econômico europeu.
UNIFICAÇÃO ITALIANA:
Período: 1815-1890 ( datas aproximadas)
Principais Acontecimentos:
a) O reino de Piemonte-Sardenha que possuía um governo autônomo e com um monarca liberal, Carlos Alberto, empreende a primeira tentativa de unificação da península ao declarar guerra contra a Áustria.
b) As rebeliões, que se espalharam por toda península, foram duramente reprimida pelas tropas austríacas, e Carlos Alberto deixa o governo para seu filho Vítor Emanuel II
c) O reino sardo-piemontês era o único reino da região que possuía características liberais e portanto com uma significativa classe burguesa, que liderada pelo conde de Cavour, continuavam a buscar a unificação italiana
d) 1859 – Cavour consegue o apoio francês e inicia uma guerra contra o governo austríaco e sua dominação na região
e) Após dois meses de luta, foi assinado um armistício e algumas regiões foram anexadas pelo governo de Piemonte: Lombardia, Toscana, Parma e Módena
f) No sul da península Cavour aliou-se à Garibaldi
g) Garibaldi tinha participado das revoluções de 1830 e 1848, e em 1860 formou um exército de mil voluntários, conhecido como camisas verdes, ocupando o reino das Duas Sicílias
h) 1861- Vítor Emanuel II foi nomeado rei da Itália, demonstrando a unificação do território italiano. Restava apenas Veneza, anexada em 1866 e Roma, 1870
i) Questão Romana: a Igreja Católica não aceitava a perda dos seus territórios, não reconhecendo a unificação do estado italiano. A questão foi resolvida em 1929, com o Tratado de Latrão e criação do pequeno Estado do Vaticano.
UNIFICAÇÃO DA ALEMANHA
Principais Acontecimentos:
a) 1834: criação do Zollverein, ou União Aduaneira que tinha como objetivo eliminar os impostos alfandegários entre os diferentes Estados da Confederação Germânica. A União Aduaneira era lidera pela Prússia que já despontava como região industrializada
b) A Áustria, estado agrário, era um dos poucos Estados alemães que não fazia parte da União Aduaneira, e se ressentia com a posição de líder da Prússia
c) 1862- Guilherme I, rei da Prússia nomeou como seu primeiro ministro Otto Von Bismark e passa a liderar a unificação alemã
d) Medidas de Bismark: desenvolvimento industrial, ampliação da malha ferroviária, modernização do exército, fortalecimento da aliança entre burguesia e nobreza
e) Com seu poderoso exército Bismark conduziu guerras contra a Dinamarca (1864), Áustria (1866) e França (1870)
f) 1871- Guilherme I foi proclamado, em Versalhes, imperador da Alemanha
g) Após a unificação a Alemanha passou por um extraordinário desenvolvimento industrial se transformando em uma das maiores potencias econômicas mundiais
NÃO SE ESQUEÇAM: A unificação tardia da Alemanha e da Itália e o seu consequente desenvolvimento industrial também tardio gerou conflitos por mercados consumidores com potencias já consolidadas como Inglaterra e França.
SUGESTÃO DE FILMES:
- O LEOPARDO - Sicília, durante o período do "Risorgimento", o conturbado processo de unificação italiana. O príncipe Don Fabrizio Salina (Burt Lancaster) testemunha a decadência da nobreza e a ascensão da burguesia, lutando para manter seus valores em meio a fortes contradições políticas.
- Sedução da Carne: Decadência, História, Realismo e Melodrama em Visconti - Combina um romance épico-histórico do século XIX com a opulência formal presente na estrutura dramática da ópera romântica, marcando o início de uma tendência dominante no conjunto de filmes do diretor daí em diante — a alternância entre temas contemporâneos e temas de época. Mas, apesar da “ruptura” estética, em quaisquer das opções — como em O leopardo ou, mais tarde, em Os deuses malditos — a preocupação política enquanto traço comum que une quase todos os seus filmes permanece ainda ligada ao neo-realismo. Ao tratar do período do Risorgimento (a unificação de toda a península italiana), em Senso Visconti comenta indiretamente o período contemporâneo, a Itália dos anos 50, como é de praxe nas complexas relações entre a História e o cinema. Alguns paralelos podem ser tirados entre o pós-guerra e o Risorgimento: a liberação da dominação estrangeira (Áustria/Alemanha), a presença e o envolvimento de partidos e líderes radicais (Garibaldi no passado e o fato contemporâneo de ¾ das prefeituras italianas no pós-guerra serem ocupadas por partidos de esquerda) e, principalmente, a constatação de que os dois períodos são imediatamente sucedidos por uma aliança com o inimigo, quando uma elite acaba substituindo a outra, no que historicamente ficou conhecido como Transformismo. Mais aparente em O leopardo do que em Senso, tal material explicitamente político não parece constituir o óbvio conteúdo central deste último — um caso extremo de paixão entre dois personagens. A natureza e o sentido desse caso amoroso devem ser entendidos, entretanto, como portadores de significados políticos. Mais ou menos como no caso mais recente (e polêmico) de paixão no cinema contemporâneo, o amor entre os dois cowboys de Brokeback Mountain nestes anos pesados da era Bush. Lógico que Visconti teve problemas com a censura italiana, que efetuou diversos cortes no filme.
- DANTON - Na primavera de 1794, Danton (Gérard Depardieu) retorna a Paris e constata que o Comitê de Segurança, sob a incitação de Robespierre (Wojciech Pszoniak), inicia várias execuções em massa. O povo, que já passava fome, agora vive um medo constante, pois qualquer coisa que desagrade o poder é considerado um ato contra-revolucionário. Nem mesmo Danton, um dos líderes da Revolução Francesa, deixa de ser acusado. Os mesmos revolucionários que promulgaram a Declaração de Direitos do Homem implantaram agora um regime onde o terror impera. Confiando no apoio popular, Danton entra em choque com Robespierre, seu antigo aliado, que detém o poder. O resultado deste confronto é que Danton acaba sendo levado a julgamento, onde a liberdade, a igualdade e a fraternidade foram facilmente esquecidas.



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