sexta-feira, 3 de agosto de 2012

9º Ano Aula 1


CONTEÚDO DO 3º BIMESTRE
AULA 1



POPULISMO


Qual a sua interpretação sobre a charge?


POPULISMO
Populismo é basicamente um “modo” de exercer o poder. Ou seja, dá-se uma importância ao povo, às classes menos favorecidas, cuida-se delas e, assim, conquista-se sua confiança o que permite que se exerça um autoritarismo consentido, uma dominação que não é percebida por quem é dominado.
Historicamente o populismo está ligado a fenômenos políticos da América Latina e se identifica com a industrialização e urbanização. No caso específico do Brasil este processo se inicia nos anos vinte e trinta o que coloca o populismo em foco exatamente neste período.
Dentre as características do populismo está o fato de que o contato do líder com as massas acontece diretamente. Isto é, o líder não precisa de ninguém que intermedie seu contato com o povo, mas vai, pessoalmente, de encontro a ele, torna-se “amigo pessoal” dos pobres, preocupando-se com sua situação individual. Através dessa proximidade, cria laços que permitirão a ele ser eleito sob os aplausos da grande massa popular que a ele confia, posto que se trata, não de um político qualquer, mas de um amigo. Portanto, o populismo tem como foco as classes média e baixa.
O populismo não é um governo de esquerda apesar de se voltar para as classes média e baixa. Tampouco é um governo de direita. A direita o considera uma forma demagógica de comportamento político. O populismo não dá espaço para a atuação política da classe burguesa uma vez que suas determinações políticas são atribuídas ao líder. O líder populista está acima de todas as classes, é representante único e total dos anseios do povo que o elegeu. Para a esquerda o populismo representa uma venda que é colocada nos olhos das massas distanciando-as da possibilidade de perceber o papel exercido sobre ele pelo Estado.
Populismo no Brasil
No Brasil, Getúlio Vargas é o exemplo maior do populismo. Apesar de toda a repressão exercida por Vargas conseguiu ser democraticamente eleito pelo povo o que mostra sua popularidade diante das grandes massas. Seu “interesse” pelos pobres, o que o levou a ser apelidado de “pai dos pobres”, dá uma dimensão do populismo assumido por Getúlio Vargas. A manipulação das massas é compreensível na medida em que a industrialização fez migrar para as grandes cidades um grande contingente de trabalhadores das zonas rurais como também de outros países. Estas massas vindas de diferentes lugares tinham dificuldades de organizar-se e, assim, preferiam confiar seus anseios àquele que se dizia um amigo, o líder populista.


México
Lázaro Cárdenas

Segundo, porque durante seu mandato presidencial Cárdenas conquistou apoio de diferentes grupos da sociedade mexicana, muitas vezes com interesses divergentes, como as massas camponesa e operária, além de alguns líderes do PNR (Partido Nacional Revolucionário). Este tipo de relação levou a várias caracterizações de sua figura, sendo chamado tanto de revolucionário como de reformista. E, por último, porque sua história ajuda a compreender o processo da revolução mexicana.
Intervenção estatal
Durante o espaço de tempo de 1928 a 1933, Cárdenas orienta as ações políticas que efetivará na presidência. Durante esses anos já se configura a defesa da intervenção estatal na economia e na política, além de "concessões" às massas camponesas e operárias, para conter o avanço de suas reivindicações.
Cárdenas fazia parte do que se denomina ala esquerda do PNR, grupo representado também pelos generais Obregón e Francisco Múgica, mais comprometidos com as reivindicações dos operários e camponeses que o restante do partido.
No governo de Obregón (1920-1924) houve crescimento do movimento operário e as leis trabalhistas foram mais respeitadas. Entretanto, o movimento operário já se encontrará atrelado ao Estado no governo de seu sucessor, Calles (1924-1928). Este general se manterá no poder no México durante o período de 1928 a 1935 (período denominado maximato), no cargo de chefe máximo da revolução. Isso lhe possibilitará nomear e destituir todos os presidentes mexicanos até a chegada de Cárdenas à presidência do país.

Reforma agrária
Durante a presidência de Cárdenas realizou-se uma grande transformação na estrutura fundiária mexicana. É importante salientar que a divisão de terras no México já estava em andamento nos governos anteriores ao de Cárdenas, mas sua firme atuação em relação à reforma agrária não tinha precedentes na história do país. Ele efetua tal transformação devido à pressão política das massas camponesas, já que a estabilidade política do país dependia desse posicionamento.
Uma das ações mais conhecidas de seu governo foi a nacionalização da exploração do petróleo mexicano. Cárdenas "aproveitou" o choque entre as companhias de petróleo, em sua maioria inglesas e americanas, e o movimento operário, que reivindicava melhores condições de trabalho e aumento salarial, para nacionalizar a exploração do subsolo mexicano.
Para justificar tal atitude Lázaro Cárdenas utiliza um artigo (número 17) da constituição revolucionária de 1917, que permitia acabar com o que era considerado privilégio das companhias petrolíferas. Na realidade a alta lucratividade das empresas e os baixos salários dos trabalhadores justificavam tal atitude, que se tornou também símbolo da luta pela soberania mexicana e de patriotismo.
Dessa maneira pode-se concluir que o governo de Lázaro Cárdenas teve de reconhecer os movimentos sociais (camponeses e operários) como interlocutores políticos. Atender as suas antigas reivindicações, que levaram a significativas reformas sociais, era uma questão latente e ao mesmo tempo uma estratégia para manter as tensões desses grupos sob controle.


O populismo peronista

Em 1943 caiu o último presidente sustentado pela Concordância, Ramón Castilho, que em 1940 – com o apoio do Exército – havia afastado Roberto Ortiz, um presidente legalmente eleito em 1937, deposto pelo Grupo de Oficiales Unidos (GOU). Desse grupo fazia parte o coronel Juan Domingo Perón, que no governo militar que se instalou ocupava o cargo de Secretário do Trabalho e Presidência, além de acumular a Vice-Presidência e o Ministério da Guerra.
Como Secretário do Trabalho, Perón tornou-se a verdadeira eminência parda do regime. Voltando-se para o operariado urbano, criou a Confederação Geral do Trabalho (CGT), abertamente controlada pela sua Secretaria. As lideranças sindicais foram atraídas, inclusive pela corrupção, além da grande massa de trabalhadores não sindicalizados. Sob a tutela do Estado a classe operária se organizava longe da influência de socialistas e comunistas, ou de lideranças estranhas à CGT, duramente reprimidas diante de qualquer reação à política de Perón.
Criando novos sindicatos, oferecendo melhores condições de trabalho e salários mais altos – estes eram possíveis pelo aumento das exportações argentinas –, como  parte de uma avançada legislação trabalhista e previdenciária, na qual se incluía a arbitragem estatal favorável ao operariado, Perón tornou-se a figura mais importante da República Argentina. Para isso contribuiu a ação de Eva Duarte (Evita) – futura esposa de Perón –, uma ex-artista de rádio, que se notabilizaria como a “mãe dos descamisados”. As classes patronais também receberam alguns benefícios. O maior deles, segundo Perón, é “a paz social”. Rebatendo as críticas das classes dominantes, que o viam como um demagogo, Perón afirmava que “as massas populares que não foram organizadas apresentam um panorama perigoso, porque a massa mais perigosa, sem dúvida, é a não organizada.

SUGESTÃO DE FILMES:
  • O HOMEM DA CAPA PRETA (1986) -  A vida do deputado Tenório Cavalcanti e seu folclore político (costuma aparecer em público portando uma metralhadora). Reconstituição de uma época do populismo brasileiro, interrompido com a ditadura militar instalada em 1964. Cinebiografia do polêmico e reacionário político da Baixada Fluminense dos anos 50 e 60, Tenório Cavalcanti, ex-deputado federal que com sua metralhadora, apelidada de Lourdinha, desafiava a corrupção e os poderosos que dominavam o município fluminense de Duque de Caxias. O filme traça o panorama político do Rio de Janeiro dos anos 40 a 60.
  • OS ANOS JK – UMA TRAJETÓRIA POLÍTICA (1980) Direção: Silvio Tendler - É um documentário que analisa o quadro político brasileiro desde 1945 até o final dos anos 70, tendo como eixo o presidente Juscelino Kubitschek. Grande sucesso de público, Os anos JK — uma trajetória política alcançou a impressionante marca de 800 mil espectadores e se tornou um dos documentários brasileiros de maior público de todos os tempos
  • EVITA (1996) - A biografia em forma de musical de Evita Duarte, ou Eva Perón, uma atriz argentina que torna-se esposa do presidente ditador Juan Perón. Evita acabaria tornando-se uma das mulheres mais controversas da Argentina, amada por uns e odiada por outros.

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